Era pra ser uma sexta-feira tranquila.
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Era para ser apenas uma sexta-feira.
Uma sexta-feira espremida entre o feriado e o fim de semana, dessas que parecem pedir calma.
Uma visita tranquila a uma famosa loja de artigos para casa.
Corredores cheios de objetos bonitos, ambientes montados e pequenas promessas de aconchego.

Era para ser uma ida às compras.
Um passeio.
Uma distração.
Mas bastou uma pergunta para mudar o caminho:
— Onde fica o banheiro? — Ela perguntou.
E, de repente, tudo aconteceu depressa demais.
O corredor ficou mais estreito.
A loja, menos iluminada.
O passeio já não parecia um passeio.

Medo.Insegurança.
— Não, eu não quero mais. Não precisa — Ela insistiu.
— Vem, vem... É bem aqui — Ele insistiu também.
Ela disse não.
Ele continuou andando.
Era para ser apenas uma ida tranquila a uma loja. Era para ser bom.
Não foi.
O desconforto chegou primeiro.
Depois, o medo.
Aquilo estava mesmo acontecendo?
— Moça! Moça! Aqui é uma área restrita aos funcionários. Você não pode entrar aqui!
A funcionária olhou para o outro funcionário e o repreendeu:
— Ela não pode estar aqui.
A frase caiu no chão como um objeto quebrado.
Ela não podia estar ali.
E, ainda assim, alguém a havia levado até lá.
Era para ser apenas o final tranquilo de uma sexta-feira em uma loja de artigos para casa.
Não foi.
— Não aconteceu nada — Ela repetiu para si mesma, tentando transformar as palavras em abrigo.
Mas, se nada aconteceu, por que aquele sentimento parecia tão ruim?
— Será que alguma coisa aconteceria? — Ela se perguntou.
Talvez essa não fosse a pergunta.
Porque alguma coisa já havia acontecido.
Só. Que. Antes.
Antes de qualquer explicação.
Antes de qualquer certeza.
Antes de qualquer coisa que pudesse ser chamada de “algo”.
A vulnerabilidade já estava ali.
E estar vulnerável paralisa. Embaralha os pensamentos. Faz a gente duvidar do próprio medo e procurar provas quando o corpo já entendeu tudo.
Se houve desconforto, fale.
Se você disse não e alguém insistiu, fale.
Se sentiu medo, alguma coisa estava errada.
É difícil. Eu sei.
Mas era para ter sido apenas uma sexta-feira tranquila.
E você não teve culpa por não ter sido.
Nota da autora: compartilho uma história real que não aconteceu diretamente comigo, mas que presenciei.



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