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Era pra ser uma sexta-feira tranquila.

  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Era para ser apenas uma sexta-feira.


Uma sexta-feira espremida entre o feriado e o fim de semana, dessas que parecem pedir calma.

Uma visita tranquila a uma famosa loja de artigos para casa.

Corredores cheios de objetos bonitos, ambientes montados e pequenas promessas de aconchego.





Era para ser uma ida às compras.

Um passeio.

Uma distração.


Mas bastou uma pergunta para mudar o caminho:


— Onde fica o banheiro? — Ela perguntou.

E, de repente, tudo aconteceu depressa demais.

O corredor ficou mais estreito.

A loja, menos iluminada.

O passeio já não parecia um passeio.



Medo.Insegurança.


— Não, eu não quero mais. Não precisa — Ela insistiu.

— Vem, vem... É bem aqui — Ele insistiu também.


Ela disse não.

Ele continuou andando.


Era para ser apenas uma ida tranquila a uma loja. Era para ser bom.

Não foi.

O desconforto chegou primeiro.

Depois, o medo.

Aquilo estava mesmo acontecendo?


— Moça! Moça! Aqui é uma área restrita aos funcionários. Você não pode entrar aqui!

A funcionária olhou para o outro funcionário e o repreendeu:

— Ela não pode estar aqui.

A frase caiu no chão como um objeto quebrado.

Ela não podia estar ali.

E, ainda assim, alguém a havia levado até lá.


Era para ser apenas o final tranquilo de uma sexta-feira em uma loja de artigos para casa.

Não foi.


— Não aconteceu nada — Ela repetiu para si mesma, tentando transformar as palavras em abrigo.


Mas, se nada aconteceu, por que aquele sentimento parecia tão ruim?

— Será que alguma coisa aconteceria? — Ela se perguntou.

Talvez essa não fosse a pergunta.

Porque alguma coisa já havia acontecido.


Só. Que. Antes.

Antes de qualquer explicação.

Antes de qualquer certeza.

Antes de qualquer coisa que pudesse ser chamada de “algo”.

A vulnerabilidade já estava ali.

E estar vulnerável paralisa. Embaralha os pensamentos. Faz a gente duvidar do próprio medo e procurar provas quando o corpo já entendeu tudo.


Se houve desconforto, fale.

Se você disse não e alguém insistiu, fale.

Se sentiu medo, alguma coisa estava errada.


É difícil. Eu sei.

Mas era para ter sido apenas uma sexta-feira tranquila.

E você não teve culpa por não ter sido.


Nota da autora: compartilho uma história real que não aconteceu diretamente comigo, mas que presenciei.

 
 
 

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Olá, sou a Carolina Lima! Uma mãe, esposa, executiva, Teresinense que mora, há mais de 10 anos, em São Paulo. Às vezes, minha vontade de falar para o mundo transborda... Assim, nasce o "Natal e Outras Coisas". Pegue uma xícara de café, uma coberta e sinta-se em casa.

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